Senhor Diretor, Prof. Marco Razouk, corpo docente da Faculdade União,
pais, amigos e familiares, queridos formandos, boa noite!
Com muita alegria recebi o convite para estar com vocês nesta noite, em
mais uma das muitas formaturas maravilhosas das quais tive a honra e o prazer
de fazer parte!
Espero alcançar as expectativas e retribuir o carinho com algumas reflexões, que espero vocês guardem para sempre.
Nesta noite, eu gostaria de refletir sobre o navio e a âncora.
Um escritor inglês conta em uma de suas obras que na praia perto de sua
casa, uma coisa muito interessante podia ser vista com frequência: um navio
lançando a sua âncora em meio ao mar enfurecido pela tempestade. Dificilmente
existe uma coisa mais interessante, já que todos pensam sempre em fugir de
tempestades, e não fixar-se nelas.
O navio parece estar sob o poder e à mercê das ondas. O vento e a água se fazem do navio um brinquedo. Parece que vai haver destruição; pois se o casco do navio for lançado sobre as rochas, será despedaçado. Mas observamos que o navio mantém a sua posição. Embora à primeira vista parecesse um brinquedo desamparado, o navio não é vencido. Qual é o segredo da segurança? Como pode o navio resistir às forças do mar enfurecido com tanta tranquilidade? Existe segurança em meio a tempestade porque o navio está ancorado! Não importa quão forte o vento sopre ou quão altas sejam as ondas do mar… A sua segurança depende da âncora que está imóvel no fundo do oceano.
Agora, coloquemo-nos no lugar do navio. Muitas vezes, quando as
tempestades vem, ao invés de baixarmos ancora e enfrentarmos as tempestades –
os nossos problemas - nós fugimos. Em nossa fuga, ficamos fragilizados, sem
segurança, totalmente à mercê dos perigos, sujeitos a termos nossos “ cascos”
despedaçados nos rochedos.
Por sua vez, em uma situação contraria, quando nos vemos em um lugar de
calmaria, ali ancoramos, pois parece ser um porto seguro, ou uma praia
qualquer, apenas um ponto intermediário, mas que não é o nosso destino final. A
sensação de segurança, de conforto e comodidade, e o medo de enfrentar
tempestades nos prendem ali. E assim, nos deixamos manter presos por muitas
âncoras, e não nos damos conta de que elas podem nos impedir de seguir adiante,
rumo a um destino maior.
E com você, quais são as ancoras, que ao invés de te proporcionar uma
vida melhor somente te mantém preso a uma vida que no fundo você não quer?
Vamos falar delas:
A ancora da falta de confiança, que te faz acreditar que você não
saberia fazer outra coisa na vida, a não ser o que faz hoje, e te segura em um
emprego ou uma posição que não te faz feliz, realizado.
A ancora da soberba, que te faz acreditar que você é bom demais para
aprender com os outros, e que os outros é que tem a aprender com você, e você
acaba perdendo a oportunidade de crescer ainda mais.
A ancora da timidez, que te impede de dar um passo adiante, de dar bom
dia a uma pessoa diferente que entrou no elevador com você, e te impede de
fazer novos amigos e mostrar o seu interior, que por vezes é brilhante, mas
fica esquecido e encoberto.
A ancora do narcisismo, que te faz pensar que os outros estão e estarão
sempre ao seu dispor, que você pode usa-los da maneira como bem entender; com o
passar do tempo, se você for bem sucedido, estará cercado de bajuladores e falsos
amigos, que te deixarão na primeira oportunidade.
A ancora do profissionalismo, que faz com que você de mais valor a sua profissão do que à sua vida pessoal... que faz com que você dedique mais tempo ao trabalho do que à sua família...
A âncora do conforto profissional te faz acreditar que o emprego que
você tem hoje, com a estabilidade que ele oferece, é uma segurança e uma
vantagem da qual você não pode abrir mão, mesmo que você não se sinta realizado
e feliz com ele.
A ancora da baixa autoestima, que faz você acreditar que não é possível
sonhar mais alto, ir além.... afinal, isto é coisa para pessoas afortunadas, o
que você acredita não ser o teu caso; essa ancora te faz permanecer em um
emprego que você não gosta, morar em uma casa que não te agrada...
Essa ancora te leva a baixar outra.... A ancora do pé no chão... afinal,
não se pode ser um sonhador! Utopia é coisa que não leva a lugar nenhum... e
assim, você aniquila todos os seus sonhos, perde a ousadia de buscar coisas
novas, perde o brilho nos olhos, e se torna uma pessoa apática, sem alegria de
viver...
Talvez você possa descobrir outras ancoras ocultas em sua vida....descubra
as que te protegem, e identifique as que te prendem... E então, levante ancoras,
e abandone seus paradigmas.
Se eu conseguir deixar gravado na mente de vocês hoje uma mensagem, é a
de que vocês são capazes de ir além, de navegar sem medo ao um destino maior, a
um porto tão grandioso que não se pode vislumbrar!
Acreditem na sua capacidade, vocês podem ir além. Nosso país precisa de
vocês, de cada um de vocês, do seu trabalho, da sua capacidade, da sua
inovação, da sua alegria. Juntos, nós podemos mais, nós podemos ir além,
podemos alcançar a dignidade, a justiça, a serenidade, um porto seguro, de que
nós e nossos filhos tanto precisam! Acreditem em vocês, porque eu acredito!
Deixo meus sentimentos de admiração e apreço aos seus pais, Aqueles que
foram seus primeiros e mais importantes professores. Que os ensinaram coisas
que a escola não seria capaz de ensinar; que sonharam com este dia mais do que
vocês, e que estão muito mais felizes e orgulhosos de vocês do que vocês podem
imaginar!! Abracem e beijem aqueles que
deram a vocês aquilo que eles não conseguiram sonhar para eles, mas fizeram o
impossível para que vocês conseguissem! A vocês, pais, toda a minha admiração e
respeito.
Espero vê-los em outros destinos!!
Muito obrigada a todos pela oportunidade!!

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