quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Minha História - Paraninfa Espiritual - Turma 2010-2013- Faculdade União





Senhoras e senhores, pais, amigos e familiares dos formandos, queridos  formandos, Boa noite!
Nesta noite, temos muito para agradecer! Eu, pelo maravilhoso convite! Vocês, pelo sonho realizado! Outros, por uma nova oportunidade de vida, não é Junior (o Junior, um dos formandos, sofreu um grave acidente a poucos meses da formatura, e sua vida hoje é um milagre)? Somos todos muito gratos a Deus!

Quando recebi o convite, fiquei pensando no que poderia dizer a vocês, que vocês ainda não soubessem. Com a incrível conectividade e as tecnologias de informação de nossa sociedade atual, tudo o que se imagina falar, parece que já foi dito anteriormente.  Como não encontrei algo assim tão inédito, resolvi, então, contar-lhes um pouco da minha história de vida, embora não seja uma história extraordinária, já que não sou portadora de fama e fortuna, que desperte o interesse e curiosidade das pessoas.

Mas eu quero justamente contar-lhes a história de uma pessoa comum,  pois no mundo em que vivemos, as pessoas tendem a achar que só podem ser felizes aquelas pessoas com uma história de vida extraordinária!

Vou começar falando sobre ajudar pessoas. Na sociedade de hoje, é bastante comum vermos as pessoas se compadecerem de outras menos afortunadas. Eu mesma já organizei, e ainda organizo, ações do tipo “ajude os que não tiveram chances ou oportunidades na vida”... É muito bom fazermos boas ações, ajudarmos os outros, mas isso não transforma a vida das pessoas ajudadas, senão as nossas próprias vidas...

Por que estou dizendo isto? Vocês já irão entender.

Aos seis anos de idade comecei a frequentar a escola primária. Eu morava em um sitio, no município de Jussara, no Paraná. Minha casa ficava a uns três quilômetros de distancia da escolinha. Nos primeiros dias de aula, minha mãe me levava pela mão, ou por vezes meu pai, ou meus irmãos mais velhos.  Depois, tive que aprender a percorrer o caminho sozinha, pois nem sempre havia alguém disponível para me levar, pois todos do minha família trabalhavam no sítio; minha mãe na casa, preparando o almoço que deveria ser levado aos que estavam trabalhando.





Assim, minha mãe me dizia para eu me tomar cuidado no caminho. Seu eu ouvisse barulho de carro, eu deveria me esconder nos arbustos, para que ninguém me roubasse. Por vezes também acontecia de algum vaqueiro estar passando com a boiada... Eu deveria, aos seis anos de idade, ter cuidado com esses fatos, e outros, como cobra, ou cachorro louco... Enfim, os perigos nestes três quilômetros eram diversos para uma criança de seis anos.




Muitas vezes chovia, e o barro do norte do Paraná é algo que vocês, aqui de Ponta Grossa, não podem imaginar... você vai pisando, e o barro vai se acumulando debaixo da sola... e vai pesando, e grudando no chão...

Muitas vezes, tomei chuva, molhei a roupa, sujei o uniforme... Outras vezes, o chinelo arrebentou...  Mas apesar de encharcada, dos pés sujos de barro, do medo de ladrão, do carro, medo de estouro de boiada, pés pesados de barro... apesar de tudo isto, eu ia para a escola alegre.

Na minha classe, éramos duas turmas. A turma do primeiro ano que se sentava de um lado da sala, e a turma do segundo ano, que se sentava do outro lado. O primeiro e segundo anos estudavam juntos pela manha, e o terceiro e o quarto, a tarde. A professora nos ensinava ao mesmo tempo, dividindo o tempo e a atenção com dois grupos distintos de alunos. Não era fácil para ela, que tinha trabalho dobrado; mas também não era fácil para nós, que tínhamos a nossas dificuldades em aprender e não tínhamos o tempo todo para nós.

Assim, era puxado para o primeiro ano, e para o segundo ano, muito fraco, o que fazia com que os alunos tivessem dificuldades de aprendizagem.

Eu aprendi a ler com relativa facilidade, mas nunca fui o melhor exemplo com a tabuada... aliás, a matemática até hoje é um desafio para mim...

Quando terminei a terceira série, nos mudamos para a cidade, e fui para um colégio regular, aqueles em que cada serie tinha uma professora só para eles, e tempo para ensinar, e cobrar os conteúdos também.

Nem é preciso dizer que foi um desastre para mim no começo, pois meus colegas sabiam muito mais do que eu...

Eu tinha dificuldades em fazer amigos, pois eu era muito tímida, e as outras crianças preferiam brincar com coleguinhas mais comunicativos, mais expansivos e com um número maior de brinquedos também.

Desta forma, eu passava muito tempo em um lugar que para mim era o paraíso: a biblioteca pública municipal.  Li praticamente todos os livros da biblioteca, menos as enciclopédias....  Isto fez com que eu aperfeiçoasse em muito o domínio da língua portuguesa.  E posso dizer que, graças a isso,  a esse habito de leitura intensa, muitas portas foram abertas em minha vida acadêmica e profissional.

Passei, então, a ter um desempenho excelente na escola, e sempre estava entre os três melhores alunos do colégio a cada bimestre. Tenho até hoje as medalhas guardadas.

O vestibular não era algo muito real para mim. Eu somente sabia que eu queria, mas não sabia muito bem como deveria fazer para entrar em uma universidade.

Na oitava série, hoje nono ano, eu já sabia que queria ser arquiteta ou administradora. Acabei fazendo o vestibular somente para saber como era a prova, e passei na primeira tentativa, em sétimo lugar em Administração na UEM.

Mudei-me para Maringá, sozinha, com o apoio dos meus pais,  e estudava na universidade pela manha, trabalhava a tarde, e estudava inglês duas vezes por semana a noite.  Muitas e muitas vezes passei noites em claro estudando. Dormir para mim era um luxo!

Estudar inglês era uma grande diversão para os longos finais de semana longe de minha família, e um refrigério entre as provas de custos, contabilidade, sociologia, entre outras disciplinas que vocês conhecem bem!

No dia da minha formatura, éramos quatro de uma turma inicial de 40 alunos.  Os demais formandos eram alunos de períodos anteriores.

Casei-me, nos mudamos de cidade algumas vezes, até virmos morar em Ponta Grossa.

Fui tão bem sucedida com a língua inglesa que me tornei professora de ingles, e depois diretora de unidade de um curso de idiomas.

Para mim, era um grande sonho, que eu nem mesmo havia sonhado,  que se tornava realidade.  Fui uma criança com poucos recursos! Mas meus pais trabalhavam muito duro para suprir nossas necessidades básicas. 

Nos dias de hoje, quando vejo algumas pessoas dizendo que não tem oportunidades, que tudo é muito difícil... eu me lembro das minhas dificuldades... Eu sou a prova de que é possível sim, com força de vontade e com muita dedicação. As oportunidades estão em todas as partes! Mas as pessoas precisam ter vontade própria de mudar sua realidade. Se você “ajudar demais”, elas irão se acomodar.

Os que me veem hoje provavelmente pensam que fui uma criança educada em escolas de excelência! Sinceramente, espero que me vejam assim.... :)   Eu era somente uma criança quando comecei a frequentar a escola, mas tive excelentes orientadores, meus pais.  Eles foram meus primeiros e decisivos educadores que me descortinaram um horizonte de oportunidades, e que me supervisionavam para que eu prosseguisse. Quanto as escolas onde estudei, bem, até não eram as melhores estruturas, mas eu tive os melhores professores, pois eles nos olhavam como seres humanos, nos tratavam com a dignidade que um ser humano precisa ser tratado.  Portanto, foram excelentes, as melhores que eu poderia ter tido!

Quanto a minha carreira  profissional, sou uma pessoa inquieta, e gosto de mudanças, embora também aprecie a rotina. Durante a minha vida, até aqui, mudei minhas perspectivas profissionais, posso até dizer que radicalmente, mais de quatro vezes, e em todas elas fui feliz e bem sucedida. Mas nunca fiz mudanças ao acaso, sem um planejamento prévio, e bem detalhado! 

Eu poderia fazer outras coisas, mas escolhi a docência!  E além disso, tenho uma família linda!


Três ensinamentos quero deixar para vocês a partir de tudo o que eu disse:

1.     Os sonhos alimentam a alma e te motivam a acordar todos os dias e sair para trabalhar feliz! Os sonhos te fazem seguir adiante, te dão direção e te proporcionam o estabelecimento de objetivos. Mas não se esqueça, vivemos hoje em uma sociedade que te ordena realizar sonhos a todo instante, no trabalho, nos relacionamentos, na lazer; isso nem sempre é possível! Vivemos numa sociedade que diz que você é especial, e que algo especial acontece com pessoas especiais!! Mas espere, você é especial sim, você e mais aproximadamente 7 bilhões de pessoas que vivem sobre a face da terra.  Por que, então, algo especial deveria acontecer exclusivamente com você? 

2.    Isto nos leva ao segundo ensinamento: Se você deseja que algo especial aconteça a você, estabeleça seus objetivos; faça um planejamento, pois se você não planejar, não irá alcançá-los;  as coisas especiais que acontecem, são, em sua grande maioria, fruto de planejamento e muito trabalho; são muito raros os exemplos de pessoas que alcançam fama e fortuna, de forma honesta, a partir de simples acasos. Eles existem, mas são raros; e se você se sentar para esperar por algo assim, pode não ter um final muito feliz.

3. Não se deixe controlar excessivamente pela sua autoconfiança, nem excessivamente pela falta dela. Ou seja, não pense que tudo o que acontece depende exclusivamente de você; saiba que não estamos no controle total de nossas vidas; as contingencias acontecem, e temos que estar preparados para elas. Também não pense que você não tem controle algum sobre sua vida, que você está totalmente à mercê das pessoas e contingencias à sua volta, sob o controle do acaso. Temos uma responsabilidade e um controle razoável sobre nosso futuro. Portanto, faça as escolhas adequadas hoje.  Sua vida e seu futuro dependem de suas escolhas.

4.   Por último, todavia o mais importante dos ensinamentos, busque a Deus, não importa sua religião ou crença, e obedeça aos bons mandamentos. Este é o dever e obrigação de todo homem. 

Isto não é receita para felicidade, até porque cada um encara a felicidade de uma forma diferente. Mas é para vocês compreenderem que é possível a uma pessoa sem muitas perspectivas, ser feliz! A felicidade não está atrelada a coisas extraordinárias, mas a uma forma extraordinária de encarar os fatos. Tem uma frase cuja autoria desconheço, mas que gosto muito. Ela diz assim: As pessoas mais felizes não tem necessariamente as melhores coisas, elas simplesmente aproveitam melhor as coisas que tem...

Um grande abraço a todos, muito obrigada por fazerem parte da minha vida e dos meus sonhos, e me fazerem ainda mais feliz com esta linda homenagem!!




Nenhum comentário:

Postar um comentário