sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Paraninfa Espiritual - Faculdade União - Turmas 2011-2014 - O Navio e a Ancora



Senhor Diretor, Prof. Marco Razouk, corpo docente da Faculdade União, pais, amigos e familiares, queridos formandos, boa noite!
Com muita alegria recebi o convite para estar com vocês nesta noite, em mais uma das muitas formaturas maravilhosas das quais tive a honra e o prazer de fazer parte!  

Espero alcançar as expectativas  e retribuir o carinho  com algumas reflexões, que espero vocês guardem para sempre.

Nesta noite, eu gostaria de refletir  sobre o navio e a  âncora. 
Um escritor inglês conta em uma de suas obras que na praia perto de sua casa, uma coisa muito interessante podia ser vista com frequência: um navio lançando a sua âncora em meio ao mar enfurecido pela tempestade. Dificilmente existe uma coisa mais interessante, já que todos pensam sempre em fugir de tempestades, e não fixar-se nelas.





O navio parece estar sob o poder e à mercê das ondas. O vento e a água se fazem do navio um brinquedo. Parece que vai haver destruição; pois se o casco do navio for lançado sobre as rochas, será despedaçado. Mas observamos que o navio mantém a sua posição. Embora à primeira vista parecesse um brinquedo desamparado, o navio não é vencido. Qual é o segredo da segurança? Como pode o navio resistir às forças do mar enfurecido com tanta tranquilidade? Existe segurança em meio a tempestade porque o navio está ancorado! Não importa quão forte o vento sopre ou quão altas sejam as ondas do mar… A sua segurança depende da âncora que está imóvel no fundo do oceano.




Agora, coloquemo-nos no lugar do navio. Muitas vezes, quando as tempestades vem, ao invés de baixarmos ancora e enfrentarmos as tempestades – os nossos problemas - nós fugimos. Em nossa fuga, ficamos fragilizados, sem segurança, totalmente à mercê dos perigos, sujeitos a termos nossos “ cascos” despedaçados nos rochedos. 
Por sua vez, em uma situação contraria, quando nos vemos em um lugar de calmaria, ali ancoramos, pois parece ser um porto seguro, ou uma praia qualquer, apenas um ponto intermediário, mas que não é o nosso destino final. A sensação de segurança, de conforto e comodidade, e o medo de enfrentar tempestades nos prendem ali. E assim, nos deixamos manter presos por muitas âncoras, e não nos damos conta de que elas podem nos impedir de seguir adiante, rumo a um destino maior.

E com você, quais são as ancoras, que ao invés de te proporcionar uma vida melhor somente te mantém preso a uma vida que no fundo você não quer?
Vamos falar delas:
A ancora da falta de confiança, que te faz acreditar que você não saberia fazer outra coisa na vida, a não ser o que faz hoje, e te segura em um emprego ou uma posição que não te faz feliz, realizado.

A ancora da soberba, que te faz acreditar que você é bom demais para aprender com os outros, e que os outros é que tem a aprender com você, e você acaba perdendo a oportunidade de crescer ainda mais.

A ancora da timidez, que te impede de dar um passo adiante, de dar bom dia a uma pessoa diferente que entrou no elevador com você, e te impede de fazer novos amigos e mostrar o seu interior, que por vezes é brilhante, mas fica esquecido e encoberto.

A ancora do narcisismo, que te faz pensar que os outros estão e estarão sempre ao seu dispor, que você pode usa-los da maneira como bem entender; com o passar do tempo, se você for bem sucedido, estará cercado de bajuladores e falsos amigos, que te deixarão na primeira oportunidade.

A ancora do profissionalismo, que faz com que você de mais valor a sua profissão do que à sua vida pessoal... que faz com que você dedique mais tempo ao trabalho do que à sua família...

A âncora do conforto profissional te faz acreditar que o emprego que você tem hoje, com a estabilidade que ele oferece, é uma segurança e uma vantagem da qual você não pode abrir mão, mesmo que você não se sinta realizado e feliz com ele.

A ancora da baixa autoestima, que faz você acreditar que não é possível sonhar mais alto, ir além.... afinal, isto é coisa para pessoas afortunadas, o que você acredita não ser o teu caso; essa ancora te faz permanecer em um emprego que você não gosta, morar em uma casa que não te agrada...

Essa ancora te leva a baixar outra.... A ancora do pé no chão... afinal, não se pode ser um sonhador! Utopia é coisa que não leva a lugar nenhum... e assim, você aniquila todos os seus sonhos, perde a ousadia de buscar coisas novas, perde o brilho nos olhos, e se torna uma pessoa apática, sem alegria de viver...



Talvez você possa descobrir outras ancoras ocultas em sua vida....descubra as que te protegem, e identifique as que te prendem... E então, levante ancoras, e abandone seus paradigmas.
Se eu conseguir deixar gravado na mente de vocês hoje uma mensagem, é a de que vocês são capazes de ir além, de navegar sem medo ao um destino maior, a um porto tão grandioso que não se pode vislumbrar!

Acreditem na sua capacidade, vocês podem ir além. Nosso país precisa de vocês, de cada um de vocês, do seu trabalho, da sua capacidade, da sua inovação, da sua alegria. Juntos, nós podemos mais, nós podemos ir além, podemos alcançar a dignidade, a justiça, a serenidade, um porto seguro, de que nós e nossos filhos tanto precisam! Acreditem em vocês, porque eu acredito!

Deixo meus sentimentos de admiração e apreço aos seus pais, Aqueles que foram seus primeiros e mais importantes professores. Que os ensinaram coisas que a escola não seria capaz de ensinar; que sonharam com este dia mais do que vocês, e que estão muito mais felizes e orgulhosos de vocês do que vocês podem imaginar!!  Abracem e beijem aqueles que deram a vocês aquilo que eles não conseguiram sonhar para eles, mas fizeram o impossível para que vocês conseguissem! A vocês, pais, toda a minha admiração e respeito.
Espero vê-los em outros destinos!!

Muito obrigada a todos pela oportunidade!!